Onde investir em 2016 | 2° Semestre

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Do que se trata esse texto_

Este texto relaciona o que está ocorrendo na economia e na política com os seus investimentos. Falamos do cenário base para a conversa, do juro, inflação e PIB e como eles influenciam na sua vida. Investimentos pré e pós-fixados, atrelados à inflação e fundos multimercado.

Por que ler_

Quando você junta rapidez de divulgação de notícias e informações com globalização, você tem o ambiente perfeito para mudanças bruscas na economia em qualquer parte do mundo simplesmente por uma decisão tomada por um burocrata lá na China! Você precisa estar atento a tudo se quiser aproveitar as oportunidades que essas mudanças criam ou mesmo se simplesmente quiser proteger o seu patrimônio. Aqui vai um bom começo.

Todo mundo sabe que em economia e investimentos, tudo é muito dinâmico. Tanto é assim que precisamos acompanhar nossos investimentos periodicamente para não deixarmos passar boas oportunidades de aumentar a nossa rentabilidade. Fato é que no Brasil de hoje, o dinamismo da economia ainda está sofrendo grande influência da política local. E é por esse motivo que resolvemos escrever este artigo, no qual falamos de onde investir especificamente neste segundo semestre do ano, que começa agora. Em primeiro lugar, precisamos pontuar a necessidade de se investir respeitando o perfil de investidor de cada um, justamente para se evitar uma quebra de expectativa. O que falaremos aqui tem o intuito de orientar o investidor a alocar seus recursos frente ao que está ocorrendo na economia no Brasil e no mundo, além de ajudálo a entender as diferentes modalidades de investimentos que podemos utilizar neste momento.

Cenário Base_

Muito está acontecendo no mundo. Os conflitos no oriente médio causam reflexos importantes tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Podem ajudar a definir a eleição americana e certamente ajudaram a tirar a Grã-Bretanha da Comunidade Europeia com a aversão pelos movimentos migratórios que estão acontecendo por lá. A saída da GB está trazendo muita incerteza ao mercado financeiro mundial, precisamos entender que os mercados são todos interligados e sofremos os reflexos disso também. Assim como no adiamento da decisão de subir juros nos EUA pelo Banco Central deles, o FED, faz com que o nosso Real possa ficar um pouco mais apreciado, pelo menos por agora, ajudando no controle da inflação. Até o momento, as consequências do “Brexit” têm sido mais suaves do que o imaginado, porém não se sabe ainda quais serão as consequências políticas com reflexos no bloco (se haverá movimento de saída de outros membros ou não).

Aqui no Brasil, o tema que tem dominado é a mudança de governo (Federal). Há implicações relevantes como a mudança radical da política econômica (inclusive Ministério da Fazenda e Banco Central) trazendo outros ventos para nós. Isso interfere sobremaneira na inflação e nos juros, e por sua vez, nos seus investimentos. A política econômica do governo anterior causou uma disparada da inflação e uma queda abrupta do PIB, veja o gráfico. Agora, a grade dúvida é o que acontecerá com os juros. Como o novo governo atuará para conter a inflação e estimular o crescimento do país. Estamos com uma projeção de inflação de 7,3% para o ano, quando a meta é 4,5%, e PIB negativo em 3,35%. É um desafio e tanto. O BC precisa atuar em conjunto com o Governo Federal, acompanhando a realização de uma agenda de reformas estruturais para que um ciclo de queda de juros seja possível.

Inflação vs PIB:

Investimentos_

A expectativa é que este governo seja menos leniente com a inflação e que estimule mais o crescimento, além de maiores cortes no orçamento. Esse cenário vinha mostrando até agora uma possibilidade de corte SELIC (taxa básica de juros) ainda este ano, porém recentemente o BC piorou a previsão de inflação e essa queda pode ter ficado para 2017, precisamos acompanhar. De qualquer forma, como os juros estão em patamares elevados e a probabilidade maior é a de termos um ciclo de queda nos juros básicos, o mais interessante seria investir em títulos de renda fixa (títulos públicos, CDB, LCI, etc) que sejam préfixados, caso o horizonte seja de longo prazo. Isto quer dizer que você contrata uma taxa quando investe no título (compra) e recebe a mesma até o vencimento. Então, mesmo que a SELIC baixe, você continuará ganhando o acordado hoje. Como exemplo, temos taxas de 14,4%a.a. para três anos. Porém, se você conseguir taxas pósfixadas mais altas do que no seu banco (normalmente oferecem até 90% do CDI), você precisa pensar melhor. Nossos clientes têm à disposição taxas pós de 118% do CDI (se você não conhece essa dinâmica “% do CDI, clique aqui). Neste caso, veja o gráfico abaixo, um comparativo entre um CDB de 118% do CDI com a inflação, o CDI e a poupança. A área azul é o seu rendimento real, acima da inflação. Isso já não ocorre no caso da poupança, onde o rendimento real é negativo (área vermelha), ou seja, se você tinha na poupança exatamente o valor da faculdade do seu filho, vai ter que trabalhar mais, pois já não vai bastar.

No caso de optar por um pré-fixado, como o CDI hoje está em 14,13%a.a., o investidor precisa acreditar que a taxa básica caia para valores abaixo de 12,3%a.a. antes do vencimento do seu título para que um título pré-fixado seja mais rentável do que um pós. O que não será nada difícil, pois para você ter uma ideia, o Relatório Focus (estimativas dos melhores economistas do país) estima que a Selic esteja em 11%a.a. no final de 2017! (Veja abaixo). Então, continua valendo a pena investir em pré-fixados.

Relatório Focus, Banco Central, 03/07/2016:

Vamos colocar mais uma variável, exatamente como na vida real. Vamos pensar também em títulos que remuneram o investidor uma taxa fixa mais a inflação, os chamados “IPCA+”. Até três semanas atrás, era consenso entre os analistas de que a inflação estava arrefecendo. Entretanto, nestas três últimas semanas, vimos um novo fôlego nos preços ao atacado, o que invariavelmente em algum momento acaba sendo repassado ao varejo. Isso fez com que as expectativas para o final do ano voltassem a subir. Claro que não se fala nos quase 11% que tivemos em 2015, mas para quem é mais cético com esse nosso dragão, vale a pena pensar em atrelar rendimento à inflação. Neste caso, temos como alternativas CDB´s que remuneram IPCA+7,52%a.a. No cenário de uma inflação projetada nos 7,3% somando-se 7,52%, teremos uma rentabilidade bruta de aproximadamente 15,2%a.a. É importante lembrar que, segundo o novo diretor do Banco Central, Dr Ilan Goldfajn, o real objetivo do Banco será o centro da meta de inflação (4,5%), e não a banda superior, como vinha sendo na direção anterior. Então, com um BC mais atuante, é provável que tenhamos inflação bem mais baixa para os próximos anos, fazendo com que a rentabilidade desse tipo de produto se torne menos atrativa, por mais que tenhamos uma segurança de manter um retorno real acima da inflação em 7,52%a.a.

Inflação na Alemanha Pós-Primeira Guerra Mundial. Pessoas levavam dinheiro com ajuda de carrinhos de mão.

Até aqui diferenciamos os investimentos em pré, pós-fixados e atrelados à inflação, citando alguns exemplos. Para o leitor que gostaria de saber se é melhor um título público, CDB, LCI ou LCA, o importante é saber que devemos comparar os produtos na mesma condição, ou seja, rentabilidade líquida com líquida, ou bruta com bruta. O importante é calcular sempre, afinal, nem tudo é o que parece! A decisão final será por aquele que remunere mais nas condições que o investidor precisa. Se as alternativas são um CDB e uma LCI, ambos para 12 meses, precisamos retirar 17,5% da rentabilidade (tabela regressiva de imposto de renda para o período) do CDB e comparar com a LCI (líquida de IR). Aquele que for melhor será a escolha certa, sem nenhum tipo de preconceito.

Até aqui diferenciamos os investimentos em pré, pós-fixados e atrelados à inflação, citando alguns exemplos. Para o leitor que gostaria de saber se é melhor um título público, CDB, LCI ou LCA, o importante é saber que devemos comparar os produtos na mesma condição, ou seja, rentabilidade líquida com líquida, ou bruta com bruta. O importante é calcular sempre, afinal, nem tudo é o que parece! A decisão final será por aquele que remunere mais nas condições que o investidor precisa. Se as alternativas são um CDB e uma LCI, ambos para 12 meses, precisamos retirar 17,5% da rentabilidade (tabela regressiva de imposto de renda para o período) do CDB e comparar com a LCI (líquida de IR). Aquele que for melhor será a escolha certa, sem nenhum tipo de preconceito.

Belvedere, 1958, Litografia, Maurits Cornelis Escher.

Também devemos ressaltar aqui que CDB, LCI, LCA, LC, todos possuem garantia do Fundo Garantidor de Crédito até o limite de R$ 250.000,00 por investidor. Isso já não ocorre com títulos públicos, que possuem a garantia do Governo Federal em contrapartida.

Agora, digamos que você é uma pessoa muito ocupada e que não possui tempo, conhecimento nem vontade de acompanhar estas informações antes de escolher que tipo de investimento fará. Neste caso, a alternativa são os fundos de investimentos. O importante é escolher um bom fundo, que tenha um histórico acima do CDI, que tenha boa gestão e um bom controle de riscos. Você estará terceirizando a gestão da sua carteira e confiando na experiência do gestor para que ele tome essas decisões acima. É bom saber que sabendo escolher um bom fundo, existe uma chance muito grande de o resultado final ser melhor do que se você escolhesse sua carteira. Sem nenhum julgamento de mérito, o gestor faz disso a sua profissão, vive isso 24/7, enquanto o investidor tem a sua própria profissão como especialidade. Pense nisso. Só não vale comparar com os fundos de renda fixa comuns dos bancos comerciais grandes, que obviamente não têm um bom desempenho.

Veja nossa contribuição para a infomoney:

Outras alternativas_

Para aquele investidor que quer ter uma carteira completa, existe uma outra modalidade de investimento que promete voltar a brilhar. São os fundos multimercado. É uma categoria de fundos de investimento que admite uma série de estratégias e que possui objetivos de rentabilidade um pouco mais arrojados do que a renda fixa. Tomandose como base o cenário de que teremos uma inflação controlada e um novo ciclo de queda na Taxa Selic, vemos que esses fundos podem ser uma ótima alternativa de investimento

Esses fundos normalmente têm objetivos que são colocados como CDI + uma taxa (5%a.a., por exemplo). Assim, enquanto tivermos um CDI de 14%a.a., o gestor terá uma tarefa espinhosa para conseguir rentabilizar o capital em 19%a.a. Já com um CDI a 9%a.a. fica muito mais factível que o gestor consiga esse objetivo, pois terá que rentabilizar o capital do fundo em apenas 14%a.a. Agora, note que uma rentabilidade de 19% representa 135% de um CDI de 14%, já uma rentabilidade de 14% representa 155% de um CDI de 9%. E neste último cenário nós certamente não veremos mais taxas de renda fixa remunerando o investidor com rentabilidades maiores de 10%a.a.

Jogo de xadrez de rua em Salzburg, na Áustria. Estratégias com reis, bispos e peões em tamanho real!

Comentários finais_

Levando-se em conta as incertezas tanto globais quanto locais, política e econômicas, o mais prudente é diversificar os investimentos de forma inteligente. Provavelmente préfixar investimentos de longo prazo e pósfixar os de curto prazo, na parte que compete à renda fixa. E certamente sem esquecer de uma boa carteira de fundos multimercado (caso seu perfil admita isso). O mais relevante disso é que se tenha em mente que se soubermos escolher os fundos certos, conseguimos maximizar a rentabilidade da carteira diminuindo o risco, simplesmente por fazer uma diversificação inteligente usando os conceitos da Moderna Teoria de Carteiras.

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