Fundos de Investimentos – Parte III

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Como escolher um fundo de investimentos?

Agora que você já sabe o que são os fundos de investimentos, como funciona sua tributação e quais são os tipos, como decidir em qual fundo deve investir?

A indústria de fundos de investimentos no Brasil é significativamente menor do que nos países desenvolvidos, porém isto não quer dizer que temos poucas opções. O tamanho da indústria nos proporciona uma gama muito grande de alternativas, tornando árduo o trabalho de separar os bons produtos dos ruins e de escolher um bom fundo de investimento.

Grande parte dos critérios que norteiam a tomada de decisão na escolha de fundos de investimentos diz respeito ao perfil de investidor e aos objetivos de quem está aplicando. Fora isso, existe uma série de critérios que podem nos ajudar a escolher, porém aí entram algumas dificuldades para a comparação destes produtos. Uma delas é a escassez de fontes gratuitas que consolidem os dados dos fundos de forma fácil para se comparar rentabilidades, por exemplo. Normalmente estas informações estão disponíveis em softwares caros e que acabam sendo fator impeditivo para um investidor comum, ou então apenas nos sites e em materiais publicitários de cada gestora. Mesmo que o investidor consiga encontrar uma forma de fazer uma boa escolha e consiga fazer sua alocação de forma correta, terá ainda outro problema, consolidar os dados financeiros e de desempenho de suas aplicações em um só local, já que normalmente teria que ter uma conta em cada instituição dos fundos que escolheu. A boa notícia é que hoje existe uma plataforma aberta (falaremos mais sobre isso em outras oportunidades), da XP Investimentos, tanto para comparar produtos quanto para investir e acompanhar a sua carteira de investimentos em uma só conta, mesmo que sejam investimentos de instituições financeiras diferentes. No site de comparação de fundos da XP Investimentos você pode comparar alguns dos quesitos que falaremos neste artigo, tanto de fundos distribuídos pela XP quanto de qualquer outro do mercado. Porém é importante que você tenha o auxílio de um assessor de investimentos para que este possa lhe ajudar com outros quesitos tão importantes quanto, ou até mais.

Existem diversos critérios importantes que devem ser analisados antes de se escolher um fundo e este artigo não tem como objetivo esgotar o assunto. Até por que, à medida que vamos nos aprofundando, entramos no terreno do perfil de investidor e das necessidades individuais e objetivos de cada investidor. Isto quer dizer que um parâmetro pode ter mais ou menos importância dependendo de qual o objetivo e de qual o perfil do cotista. Assim, vamos aqui conversar sobre alguns dos critérios que consideramos relevantes.

Benchmark:

Antes de mais nada, é importante termos uma base de comparação quando avaliamos qualquer fundo, o chamado benchmark. Cada classe de fundo utilizará um benchmark específico e que seja adequado para comparação. Fundos de renda fixa e multimercado utilizam o CDI, já os fundos de ações usam, na maioria das vezes, o índice da bolsa de valores brasileira, o IBOV. A ideia por trás disso é avaliar a capacidade do gestor do fundo em “gerar alfa”. Alfa é o quanto acima do benchmark o fundo rentabilizou. Um fundo que rende 105% do CDI teve alfa de 5% sobre o benchmark e se o CDI está em 10%aa, o fundo rendeu 10,50%aa. É uma boa forma de você pesquisar a rentabilidade dos seus investimentos. Pergunte ao seu gerente qual a rentabilidade relativa ao CDI das suas aplicações, mas cuidado, você vai ficar impressionado com a resposta! Eu não ficaria satisfeito com nada abaixo de 100% do CDI.

Perfil de Investidor:

A definição do perfil do investidor também é fundamentar na hora de escolher um fundo. O perfil é definido por perguntas simples que mostram o grau de conhecimento do investidor e o quanto ele está disposto a assumir de riscos. Um dos objetivos é não permitir que investidores conservadores invistam em produtos de alto risco, nos quais podem ocorrer perdas significativas de patrimônio, mas também que investidores agressivos não percam tempo com investimentos conservadores de pequena rentabilidade quando estão dispostos a correr riscos altos para obter rentabilidades maiores. Esta ferramenta também minimiza a possibilidade de quebras de expectativas. Imagine um investidor disposto a ter perdas temporárias para rentabilizar melhor seu patrimônio e que coloque seu dinheiro em uma aplicação conservadora que rentabilize 90% do CDI, por dois anos. Este investidor certamente ficará frustrado. Apesar de não ter perdido, na sua visão ele ganhou pouco, pois estava disposto a assumir os riscos para ganhar mais e isso não ocorreu.

Liquidez:

A necessidade de liquidez também é essencial para a escolha. Pensando em todo o seu patrimônio financeiro, qual a parcela dele você corre risco de precisar no curto prazo? Normalmente deixa-se de três a seis vezes o seu custo mensal em um investimento de liquidez imediata, o restante pode ser aplicado com prazos mais longos. Se você tem um plano de compra de imóvel, automóvel, de viajar ou algo que vá precisar desembolsar algum recurso, também deve entrar no planejamento de liquidez. Alguns fundos, mesmo que tenham liquidez em 4, 15 ou 30 dias, podem não ser indicados para investimentos de curto prazo. Esses investimentos, por possuírem volatilidades mais elevadas, requerem um horizonte de investimento de pelo menos 24 meses. Além do fato de saques em períodos anteriores a isso, implicam em alíquotas de imposto de renda mais altas.

Fase da Vida:

Antes de compor sua carteira você deve identificar em que fase da vida financeira você se encontra. Se você está começando a vida, está no início da carreira, você está na fase de acumulação. É hora de guardar dinheiro e neste momento pode escolher investimentos de prazos mais longos. Já se você está com a carreira estabilizada e já possui uma quantidade relevante de recursos, está na fase de rentabilizar. Neste momento você pode assumir alguns riscos maiores para obter maiores rentabilidades. E caso você esteja mais perto da aposentadoria e da segurança financeira, é hora de preservar seu patrimônio para poder viver de sua renda num futuro próximo. É hora de procurar investimentos mais seguros, que permitam que você viva da renda gerada por eles acima da inflação, mantendo o poder de compra do patrimônio principal.

Taxas de Administração e Performance:

Alguns comentários sobre taxas de administração e de performance. Esta análise se torna de menor relevância já que quando se avalia outros parâmetros como rentabilidade, por exemplo, estas taxas já foram descontadas. Apesar de uma alta taxa de administração poder ser a causa de um desempenho ruim, essa taxa já está implícita no resultado final do fundo e acaba por ser avaliada por “tabela”. E essa pode ser a explicação para o péssimo desempenho de alguns fundos de renda fixa de grandes bancos que chegam a cobrar 4%, 5% e até 7% como já vi. No caso da taxa de performance, além de também já estar contabilizada no resultado final do fundo, ainda cria um alinhamento de interesses entre o gestor e o cotista, fazendo com que ambos ganhem com bons desempenhos.

Critérios Numéricos e Estatísticos:

Histórico de Rentabilidade

Não dê tanta importância ao histórico de rentabilidade de um fundo. Apesar de ser um dos critérios mais avaliados, cuide para não dar importância excessiva a esse fator, até por que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Sim, ele é importante, mas por um motivo diferente do que você imagina. A rentabilidade absoluta não diz muita coisa sobre um fundo, principalmente se ele for multimercado ou de ações. O importante aqui é ver a rentabilidade relativa ao seu benchmark, conforme já conversamos anteriormente, pois esta sim nos dá uma ideia da capacidade do gestor em gerar resultados além do seu “retorno livre de risco” ou da base do mercado. Pense o seguinte, para receber o CDI, você praticamente não precisa correr riscos, então isto é o mínimo que você espera num fundo de renda fixa ou multimercado. Você sempre vai querer ganhar mais pelo risco que está assumindo. Já no caso de renda variável, a inteligência do gestor deve ser em rentabilizar mais do que o IBOV, senão você deixaria num fundo indexado, que replica a carteira do Ibovespa, e não pagaria altas taxas de administração e performance. Também devemos comparar os fundos com seus pares, pois em alguns momentos de mercado ruim é natural uma queda no desempenho da indústria de determinados fundos e nestes momentos alguns se sobressaem aos outros.

Volatilidade – Risco

Volatilidade é uma medida de risco. É um dos tipos de risco. É a chance que você tem de alocar 100 e retirar 99, por exemplo. Quanto mais volátil um fundo é, maior a amplitude se seus retornos. É natural fundos que tenham maior retorno (ou expectativa de retorno) possuírem volatilidades maiores. Também é necessário comparar os pares. Na escolhe entre dois fundos com mesma expectativa de retorno, o ideal seria escolher o de volatilidade mais baixa (caso fossem somente estes os critérios).

Índice Sharpe

É um índice que relaciona as duas variáveis acima. Existe uma série de outros índices que tratam da mesma relação, porém este é de longe o mais utilizado. Basicamente ele mostra o retorno que o fundo teve acima do retorno livre de risco, dividido pelo desvio-padrão dos retornos(volatilidade). Complicado? Vamos simplificar. Quanto maior o retorno do fundo acima do CDI, melhor o índice. Da mesma forma, quanto menor a volatilidade, melhor o Sharpe do fundo. Se o índice for negativo, não quer dizer necessariamente que você perdeu dinheiro, quer dizer que o fundo teve um retorno abaixo do retorno livre de risco no período avaliado (geralmente um ano).

Mais importante do que avaliar os critérios numérico em si, é observar se seus padrões se mantêm ao longo dos anos. Por isso é importante ter acesso aos dados históricos dos fundos e também ter muito cuidado com fundos novos sem dados históricos. Um fundo que ora possui volatilidade em 2, ora em 6, deve ter passado por alguma mudança na gestão, no controle de risco ou até na estratégia do mesmo. Cuidado, pode ter se transformado num produto completamente diferente do que aquilo que vinha sendo. Avalie pelo menos 24 meses, mas idealmente é importante ver comparações de 36 meses ou superiores.

Além disso tudo, conhecer o gestor. Conhecer seu histórico, por onde passou, se gere outros fundos e quais foram os seus desempenhos. A cabeça da gestão é o que determina se um fundo terá bom desempenho ou não. É claro que um investidor normal não tem como conhecer cada gestor da sua carteira de fundos, por isso a importância de buscar ajuda de profissionais que distribuem estes produtos e que estão sempre em contato com a indústria como um todo, buscando informações relevantes que possam ser decisivas na hora de investir.

Por fim, é fundamental saber que não adianta alocarmos todo nosso dinheiro em um único fundo de investimentos, mesmo que ele seja excelente, pois com isto estaríamos assumindo um risco muito grande e desnecessário. O seu perfil de investidor e os seus objetivos lhe dirão em quantos fundos e em quais classes você deverá investir. O ideal é montar uma carteira utilizando esses critérios que conversamos hoje e idealmente em uma única conta, em uma instituição de plataforma aberta, como a XP Investimentos, pois isso facilita a consolidação dos dados e a visualização dos desempenhos tanto individuais dos fundos quanto da carteira como um todo. A diversificação em vários fundos ainda nos dá a possibilidade de usar outra ferramenta, a correlação entre os produtos. Ela deve ser baixa, pois com isso, mantemos o retorno da carteira e diminuímos a volatilidade total da mesma, ganhando eficiência no portfólio, mas isso é assunto para outro artigo.

Entendo que o investidor, que é um profissional que tem suas atribuições e que estuda especificamente a sua função, não tem tempo nem vontade de entender tudo isso para poder escolher e saber como montar a sua carteira. Aqui entra o trabalho do assessor da Moinhos Investimentos. Ele estará preparado para lhe ajudar a entender seu perfil e seus objetivos e com isso, ajudar a montar uma carteira que seja feita especialmente para você. Depois de montada, ele lhe ajudará a acompanhar o seu desempenho e a monitorar possíveis alterações de curso que possam ser necessárias em decorrência de mudanças nos cenários econômicos.

Já leu nossos outros artigos sobre fundos de investimentos? Conhecimento básico e classificação.

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