Fundos de Investimentos – Parte II

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Quais são os tipos de fundos de investimento?

Além da classificação tributária, que vimos no artigo anterior, existe uma classificação da CVM e da ANBIMA, que tem por objetivo agrupar os fundos com as mesmas características para podermos identificar estratégias e fatores de risco e comparar a performance entre os produtos e trazer transparência ao mercado. A classificação possui três níveis que refletem a lógica do processo de investimento e facilita muito a decisão do investidor no momento de escolher um fundo.

O primeiro nível, a classe CVM, identifica a composição do fundo podendo ser: Renda Fixa, Multimercado, Ações ou Cambial (são fundos que aplicam menos de 80% de sua carteira em ativos relacionados à moeda norte-americana ou europeia. O restante deve ser aplicado em renda fixa).

O segundo nível é chamado de gestão e risco e classifica os fundos como:

  • Indexados: são fundos que têm como objetivo seguir as variações de indicadores de referência, como o IBOVESPA, por exemplo;
  • Ativos: são os fundos que não seguem índices de referência, ou que querem superar os índices correspondentes (IBOVESPA ou CDI, por exemplo);
  • Investimentos no Exterior: são fundos que investem fora do Brasil em uma parcela maior ou igual a 40% do patrimônio líquido.

Já o terceiro nível diz respeito à estratégia, serão: Small caps, setoriais, long and short neutro ou direcional, macro, juros e moedas, capital protegido, etc. Este talvez seja o nível mais representativo do fundo.

Acho importante gastar um tempo maior para descrever alguns dos mais comuns (descrições retiradas/modificadas do site da ANBIMA):

Renda Fixa:

  • Soberano: São fundos que investem 100% em títulos públicos federais do Brasil;
  • Grau de Investimento: São fundos que investem no mínimo 80% da carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito;
  • Crédito Livre: São fundos que objetivam buscar retorno por meio de investimentos em ativos de renda fixa, podendo manter mais de 20% da sua carteira em títulos de médio e alto risco de crédito.

Multimercados:

  • Macro: Fundos que realizam operações em diversas classes de ativos (renda fixa, renda variável, câmbio, etc), definindo as estratégias de investimento baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazos;
  • Trading: Fundos que realizam operações em diversas classes de ativos (renda fixa, renda variável, câmbio, etc), explorando oportunidades de ganhos originados por movimentos de curto prazo nos preços dos ativos;
  • Long and Short – Direcional: Fundos que fazem operações de ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável, montando posições compradas e vendidas. O resultado é proveniente, preponderantemente, da diferença entre essas posições;
  • Long and Short – Neutro: Fundos que fazem operações de ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável, montando posições compradas e vendidas, com o objetivo de manterem a exposição financeira líquida limitada a 5%;
  • Juros e Moedas: Fundos que buscam retorno no longo prazo através de investimentos em ativos de renda fixa, admitindo-se estratégias que impliquem risco de juros, risco de índice de preço e risco de moeda estrangeira.
  • Capital Protegido: Fundos que buscam retornos em mercados de risco procurando proteger, parcial ou totalmente, o principal investido.

Ações:

  • Valor: São fundos que objetivam buscar retorno selecionando empresas cujo valor das ações negociadas esteja abaixo do “preço justo” estimado; Setoriais: São os fundos que investem em empresas pertencentes a um mesmo setor ou conjunto de setores afins da economia;
  • Dividendos: Fundos cuja carteira investe em ações de empresas com histórico de dividend yield (renda gerada por dividendos) consistente ou que, na visão do gestor, apresentem essas perspectivas;
  • Small Caps: Fundos cuja carteira de ações investe, no mínimo, 85% em ações de empresas que não estejam incluídas entre as 25 maiores participações do IBrX – Índice Brasil, ou seja, ações de empresas com relativamente baixa capitalização de mercado;
  • Índice Ativo: São fundos que têm como objetivo superar o índice de referência do mercado acionário. Estes fundos se utilizam de deslocamentos táticos em relação à carteira de referência para atingir seu objetivo.

Isto significa que as estratégias seguem essa classificação, ou seja, o gestor deve respeitar diretrizes básicas de acordo com a política de investimento de cada fundo. O que vai mudar de um fundo para outro dentro da mesma categoria é a quantidade negociada, qual ativo foi comprado ou vendido, o momento dessas negociações, entre outros. Em última análise é a leitura que o gestor faz da economia e as atitudes que ele toma frente a isso que vão resultar na performance final do fundo de investimento.

Já leu nosso artigo básico sobre fundos de investimentos? Quer aprender a escolher um bom fundo? Leia nosso próximo artigo especificamente sobre isso.

 

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