Fundos de Investimentos – Parte I

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O que são Fundos de Investimentos,

Um fundo de investimento é um tipo de aplicação financeira que reúne recursos de diversos investidores, os cotistas, com um mesmo objetivo, gerar lucro a partir de um conjunto de regras pré-definidas no regulamento do mesmo. Cada investidor que aplica recursos neste fundo está na verdade comprando cotas deste condomínio. Com o patrimônio formado o gestor do fundo comprará ativos financeiros que sejam permitidos pelo regulamento. As cotas vão valorizar ou desvalorizar de acordo com o desempenho destes ativos, gerando lucro ou prejuízo para o investidor.

Esta estrutura toda faz com que você tenha a possibilidade de ter uma gestão especializada cuidando de seus recursos, tenha uma diversificação de seus investimentos mesmo com pequenos valores pela carteira montada pelo gestor e possa também investir em alguns títulos que sozinho você não teria acesso (devido ao alto valor mínimo necessário para estas aplicações).

Também é importante mencionar a vantagem de ter maior liquidez do seu dinheiro, pois caso você compre um CDB, para obter taxas altas, o banco vai exigir que você mantenha o dinheiro investido por prazos acima de 2 anos, e nos fundos a liquidez na maioria das vezes é de alguns dias.

Quais são as partes envolvidas com um fundo de investimentos:

Gestor

É o responsável pela inteligência do investimento. Sua equipe deve estar focada em rentabilizar os recursos do cotista, eles são remunerados com este objetivo. O que vender e quando vender. Estão imersos na economia, lendo relatórios, conversando com analistas, vislumbrando cenários e traçando estratégias. É o grande responsável por tomar as decisões de investimento e consequentemente por gerar lucro.

Administrador

É a instituição financeira responsável pelo controle financeiro do fundo. Isto inclui o cálculo do valor da cota diária, das aplicações e resgates além de responder aos órgãos fiscalizadores como a CVM e o BC.

Custodiante

É a instituição financeira responsável por guardar os títulos adquiridos pelo fundo e que compõe a sua carteira.

Auditor Independente

É independente dos outros atores e é quem verifica se as operações realizadas pelo fundo estão de acordo com o padrão de mercado e se a contabilidade está correta.

Distribuidor

É a ponta comercial de toda a cadeia. É quem recomenda os fundos para os investidores de acordo com o perfil dos mesmos, quem esclarece dúvidas sobre os fundos e atualiza os investidores com informações relevantes.

CVM

É o grande xerife do mercado. A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda que regula e fiscaliza o mercado financeiro. Os fundos necessitam da sua autorização para funcionarem.

Quais estratégias de Investimento os fundos utilizam?

Os fundos seguem uma classificação regulamentada pela CVM e pela ANBIMA e as estratégias seguem essas diretrizes. Eles podem ser, por exemplo, de Renda Fixa, Multimercado, Ações, etc. Os aspectos operacionais deles são basicamente os mesmos, o que muda são as políticas de investimento que os gestores podem utilizar dentro de cada modalidade. Isto quer dizer que o gestor de um fundo de renda fixa não pode comprar ações, ou que um fundo referenciado DI não vai comprar Dólar. Mas então, se os gestores seguem regras tão específicas, o que vai fazer um fundo se destacar de outros dentro da mesma categoria? O que vai gerar resultados diferentes, dentre uma infinidade de fatores, é a quantidade negociada de cada ativo, se este ativo foi comprado ou vendido, o momento dessas negociações, etc, etc. Em última análise é a leitura que o gestor faz da situação econômica e as atitudes que ele toma frente a isso. Em breve escreverei um artigo sobre os tipos de fundos de investimento. Cadastre seu e-mail aqui para que eu possa lhe avisar quando publicar o post.

Quais as regras que os fundos devem seguir?

Além das diretrizes impostas pela classificação dos fundos, cada um deles possui um regulamento. Este documento contém todas as regras que servem como base de funcionamento do fundo. Algumas das informações que constam ali dizem respeito às taxas cobradas, valores mínimos de investimento por cada cotista, prazos de resgate e liquidação e administração de risco.

Quais são os Custos?

A remuneração do administrador e do gestor dos fundos é feita por meio de taxas.

A taxa de administração é um percentual do patrimônio do fundo que é cobrada anualmente, porém é descontada do valor da cota pró-rata dia, ou seja, uma fração diária da taxa que será cobrada anualmente. O percentual cobrado pode variar conforme a categoria, mas basicamente quem decide é o gestor e o administrador (está documentado no regulamento do fundo). Podemos encontrar fundos que cobrem taxas anuais de 0,3% até 7%, inclusive na mesma categoria. É claro que isto vai influenciar o desempenho do fundo, pois quando você analisa as tabelas de rentabilidade, estas taxas já foram descontadas. Geralmente os fundos de grandes instituições bancarias são os que cobram as maiores taxas, pois eles se aproveitam da solidez dos seus nomes para captarem grandes volumes de recursos, mesmo que esta solidez não influencie em nada o risco de seu fundo (explicarei isso em um próximo artigo, cadastre aqui seu e-mail que lhe avisarei quando publicar).

Já a taxa de performance pode ou não ser cobrada. Essa taxa serve para remunerar o gestor pela qualidade do seu trabalho, porém ela só é cobrada quando a rentabilidade do fundo ultrapassar um determinado parâmetro, o chamado benchmark. Esse parâmetro varia conforme a categoria do fundo. Renda Fixa e Multimercado geralmente usam o CDI, já fundos de ações usam o Ibovespa (índice de renda variável da bolsa brasileira). A taxa é cobrada como um percentual do rendimento que exceder ao seu benchmark, geralmente 20%. Confesso a você que eu prefiro fundos que cobrem taxa de performance. Acredito que isso alinha os interesses do gestor com o do cotista. Assim tenho a certeza de que ele fará todo o esforço para proporcionar ao fundo uma boa performance, tanto melhorando a gestão dos ativos quanto a de risco. Fico mais confortável assim.

Qual a tributação?

No momento em que estou escrevendo este artigo está havendo uma discussão no congresso sobre mudanças na tributação dos fundos. Porém se houver, essas mudanças ficarão somente para 2017.

O Imposto de Renda é pago sobre a remuneração auferida pelo cotista (fundos de previdência é outro assunto).

Sobre os fundos de Curto e Longo Prazo, tanto os Referenciados, Renda Fixa quanto os Multimercado, a tributação varia de acordo com o prazo na qual o recurso permanece investido e é realizada por meio do famoso “come cotas”.

Fundos Curto Prazo:

– aplicações de até 180 dias – 22,5%

– aplicações de 181 dias ou mais – 20,0%

Fundos Longo Prazo (Renda Fixa e Multimercado):

– aplicações de até 180 dias – 22,5%

– aplicações entre 181 dias a 360 dias – 20,0%

– aplicações entre 361 dias a 720 dias – 17,5%

– aplicações de 721 dias ou mais – 15,0%

O come cotas

Nos fundos incluídos nesta categoria de tributação, o recolhimento do imposto ocorre sempre no último dia útil de maio e de novembro. O recolhimento é sempre realizado na menor alíquota da categoria (15% para os de longo prazo) e em caso de resgate em prazo menor de dois anos, será recolhido o percentual restante e referente ao prazo em que o recurso ficou aplicado.

Assim, a cada seis meses os fundos automaticamente deduzem esse percentual dos cotistas, sobre a renda auferida no período, e descontam o valor correspondente em cotas do fundo. Isto que dizer que caso haja imposto a recolher, o cotista não terá o mesmo número de cotas que tinha quando fez a aplicação.

Já os Fundos de Investimentos em Ações são tributados sempre em 15,0%, independentemente do prazo em que o recurso permaneça aplicado e o pagamento do tributo se dá somente no resgate.

Há ainda o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que é pago caso o investimento seja resgatado em prazos inferiores a 30 dias. O percentual pago é sobre a renda e é regressivo, varia de 96% no primeiro dia a 3% no 29º dia.

Quer entender mais sobre os tipos de fundos de investimento e sobre como escolher bons fundos? Leia os próximos artigos.

 

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